Treinamento é coisa do passado

Treinamento é coisa do passado

Por Alex Braga*

No ambiente corporativo, todos nós já passamos por algum tipo de treinamento seja ele para adquirir a prática necessária para executar uma nova função ou para aprimorarmos um conhecimento já existente. Acredito que uma boa parte de nós já percebeu aquilo que em breve deverá se tornar óbvio para a maioria. Que treinamento está virando uma coisa do passado.

Ontem – Dividir o “fazer”

Não é a minha intenção, desmerecer aquela que eu acredito ser uma mais nobres qualidades que o ser humano possui, que é a capacidade de compartilhar o seu conhecimento. Quando afirmo que o treinamento está se tornando uma coisa do passado, me refiro as extenuantes rotinas de repetição manual ou mental, na qual muitos de nós enfrentamos para nos tornamos aptos a conhecer e executar alguma atividade. Este tipo de treinamento provou ser muito eficaz no passado quando as corporações precisavam apenas treinar mão-de-obra para suas operações.

Hoje – Compartilhar o “saber”

Como todos sabem, percebemos hoje que em alguns setores de nossa economia, apenas a mão-de-obra por si só já não é mais suficiente para prover as soluções necessárias em uma organização. Em contrapartida, observamos que a automatização em larga escala suprimiu uma parcela considerável da mão-de-obra tradicional, direcionando assim o foco das atividades de muitas pessoas para as tarefas de planejamento e controle. Nos dois exemplos acima, entendemos que há uma lacuna na qual os treinamentos de antigamente não são mais capazes de preencher, pois independente do nível de repetição ou abstração necessário em uma atividade, a simples execução mecânica de tarefas manuais ou mentais não fornece mais o diferencial para que uma organização consiga atingir a excelência em seus objetivos.

Amanhã – Crenças e valores

Mais do que simplesmente instruir um novo (ou antigo) colaborador de uma empresa, temos que começar a entender que hoje se faz necessário não apenas treinar as pessoas, mas sim também temos que doutriná-las. Antes o treinamento tinha como foco, dar apenas a instrução necessária para que uma pessoa pudesse executar as suas funções. Hoje, além de ensinarmos as pessoas a executar as suas tarefas dentro da organização, temos que compartilhar com ela crenças e valores não só de natureza corporativa, mas também humanos e sociais, para que além de apenas um simples diferencial, o trabalho de cada um nós possa também possuir um significado singular em nossas vidas e em nossa comunidade.

Conclusão

A partir do momento que entendemos que uma organização é composta de pessoas, e deve ter como propósito principal, servir a outras pessoas de forma que não sejam apenas através das relações de comércio, compreendemos que as maiorias dos consumidores não estão desejando apenas um produto ou serviço, mas sim, estão em busca destas mesmas crenças e valores na qual devemos decidir escolher, acreditar e compartilhar com nossos outros colaboradores. Desta forma, o treinamento deixa de ser apenas uma maneira de ensinar tarefas, para se tornar uma forma de propagar atitudes.

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